A raiz da crise

Carlos Brickmann (*)

Paulo Guedes, o Imposto Ipiranga do Governo Federal era para ser, dizia Bolsonaro, o grande condutor da Economia brasileira. É ele, efetivamente, quem dá a última palavra em todas as medidas: “Sim”, “Sim, Senhor” e “Pois não, Excelência”.

Guedes acredita que os problemas do país nascem da possibilidade de reeleição. “Aprovar a reeleição”, disse, em entrevista à Rádio Jovem Pan, “foi o maior erro político que já aconteceu no país”. Em sua opinião, “há uma fixação constante dos ocupantes de cargos eletivos na conquista do segundo mandato”.

Muita gente, incluindo este colunista, concorda com Guedes. Só que é ele, e não quem concorda com ele, que trabalha o Orçamento para permitir medidas que facilitem a reeleição do presidente Bolsonaro.

(*) Carlos Brickmann é jornalista, consultor de comunicação e colunista.

2 pensamentos sobre “A raiz da crise

  1. O instituto da famigerada reeleição foi acertado durante o mandato do FHC, correto? Creio que seria salutar para o país o fim deste instituto, inclusive para qualquer cargo político.

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    • Em terras mais avançadas, onde o espírito de pertencimento à sociedade é mais firme, a reeleição é um fato natural. Anormal seria despachar de volta pra casa um eleito que estivesse fazendo bom trabalho. Frau Merkel, que dirigiu a Alemanha por 4 legislaturas (16 anos no total), tem feito excelente trabalho e seria reeleita “com um pé nas costas”, como se diz. Só não o será porque já anunciou que não será candidata. Seu mandato termina dentro de algumas semanas.

      Entre nós, o problema é mais cabeludo. Prefeitos, governadores e até o presidente desperdiçam o mandato subtraindo verbas públicas pra financiar a reeleição. Tem sido assim desde FHC, passando pelo lulopetismo e chegando, com descaramento desabrido, ao governo Bolsonaro.

      Portanto, estou de acordo com doutor Guedes: é importante acabar com a possibilidade de reeleição para cargos majoritários. Veja bem, isso não impede que o governante faça estrepolias pra eleger um correligionário (ou “fazer seu sucessor”, como se diz). Mas fica difícil coibir esse procedimento. Só um controle mais acurado das contas públicas resolverá.

      Quanto aos representantes do povo – vereadores, deputados e senadores –, não vejo problema em que sejam reeleitos. Seria uma pena não poder continuar com um bom representante. Além disso, ter uma Câmara de novatos a cada quatro anos não me parece boa coisa. Os que acabaram de chegar não são necessariamente melhores que os que estão lá há mais tempo.

      Em toda essa história, tudo o que se fizer concernente a mandatos – com ou sem reeleição – será pura cosmética, será puro acerto superficial. O fundo do problema é outro: nosso povo não atingiu o estágio de civilização necessário pra se autogovernar com sucesso e lisura. E vai demorar pra chegar lá.

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