6 pensamentos sobre “Crime no Carrefour

  1. Exato! O problema está em nós, na nossa condescendência para com as transgressões dos agentes da lei, está no raciocínio de que bandido bom é bandido morto ou no de que a melhor forma de conter a violência é usar de ainda maior violência, na associação automática entre os conceitos de “suspeito” e “negro”.

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    • A associação entre suspeito e negro, a meu ver, é de somenos. Entendamo-nos: não estou a minimizar atitudes discriminatórias; todo supremacismo é execrável, mas não é o ponto ao qual eu queria chegar.

      Neste caso de Porto Alegre, parece-me que o fato de todos se atirarem de cabeça numa explicação discriminatória (ou ‘racista’, como dizem) serve para aliviar consciências, mas não elude o ponto. É cômodo, mas não resolve.

      O que me deixa perplexo é a sem-cerimônia com que um indivíduo assassina outro, à frente de todos, mãos nuas, numa boa, sem estar bêbado, sem estar drogado e sem ter sofrido intenso golpe emocional. Que a vítima tenha sido um homem preto, azul ou verde, importa pouco. É o homicídio fácil, descompromissado, desleixado que me perturba.

      A imprensa transborda de exemplos diários dessa violência assassina que percorre nossa sociedade e que parece estar aumentando com o passar dos anos. Desde feminicídios cotidianos, passando por assaltos de esquina que ‘azedam’ e terminam em latrocínio, até chegar a famílias inteiras que se associam para assassinar, como fez aquela parlamentar que tem nome de flor. Numa boa.

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      • Entendo e respeito seu ponto, mas a absurda violência com a qual convivemos – e toleramos graciosamente – não é de somenos, na medida em que atinge quase exclusivamente pretos, pardos, pobres e periféricos. Segundo as estatísticas, 75% das mortes violentas envolvem essas pessoas e praticamente ninguém se incomoda em perguntar das razões para isso. Lendo os comentários nos grandes jornais, nas tevês e nas redes sociais, é fácil perceber como a maioria busca justificativas para se isentar da responsabilidade pelo clima de violência generalizada decorrente da desigualdade e do racismo: “ah, o cara não era flor que se cheire, era agressivo, estava bêbado ou drogado, estava em atitude suspeita, já tinha um desentendimento antes com os seguranças”. Resta saber qual seria a reação dessas mesmas pessoas caso o agredido/morto fosse um executivo dos Jardins ou do Morumbi.

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        • Chegou minha vez de não concordar. Mata-se todos os dias nas esquinas do Brasil. Trucida-se por dez reais, por uma sacola de supermercado, por um par de tênis usados. E os assassinados costumam ser brancos.

          Não. A violência está entranhada na alma brasileira, desse povo cordial. Permeia todas as classes, todas as cores e todos os sexos. Só não vê quem não quer ver.

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          • É verdade, não há como discordar de que a violência está entranhada na alma brasileira. Mas permita-me lembrá-lo que estamos falando de crimes perpetrados por agentes de segurança particulares, policiais militares fora do horário de serviço (se bem que cometem crimes também no horário do trabalho), milícias armadas, etc. Se você percorrer as notícias de jornais todos os dias, vai ser forçado a concluir que esse tipo de violência atinge quase exclusivamente o andar de baixo – e, no meio deles, quase só pretos e pardos.

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            • Falou e disse: a violência está no ADN (=DNA) da população. Que sejam do andar de cima, de baixo ou do intermediário, homicídio não comove ninguém. Desde os tempos de Tomé de Souza.

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