França: ex-primeiro-ministro condenado

José Horta Manzano

François Fillon é político francês. Nos últimos 30 anos, já exerceu numerosos cargos: foi presidente de administração regional, deputado, senador, ministro de Estado (diversas vezes). Seu posto mais importante foi o de primeiro-ministro, cargo que ocupou durante toda a presidência de Nicolas Sarkozy.

No começo de 2017, corria solta a campanha para presidente da República. Monsieur Fillon tinha vencido as primárias de seu partido (direita moderada), e o futuro se apresentava sorridente. Com a bagagem que carrega, tinha boas chances de vencer a eleição. Eis senão quando, uma reportagem do jornal satírico Le Canard Enchaîné veio espalhar pedras por seu caminho.

François Fillon: a queda vertiginosa

Foi acusado de nepotismo por ter garantido à própria esposa, durante uma dezena de anos, emprego de assessora fantasma no tempo em que ele tinha sido parlamentar. O político defendeu-se como pôde. Alegou que, longe de serem fictícias, as funções de Madame Fillon correspondiam ao ordenado que recebia. Mas o estrago estava feito. Instalou-se a desconfiança. Monsieur Fillon, cuja candidatura se apresentava tão promissora, não foi ao segundo turno. Ninguém pode afirmar o que teria ocorrido caso o escândalo não tivesse estourado.

A máquina judiciária, inexorável, levou três anos investigando. O veredicto saiu ontem, 29 de junho. O ex-primeiro-ministro foi condenado a 5 anos de prisão, sendo dois anos em regime fechado. Pra coroar, levou multa de 375 mil euros e foi agraciado ainda com 10 anos de inelegibilidade. A esposa saiu-se melhor: 3 anos de prisão com suspensão de pena, mais outra multa de 375 mil euros.

As penas são pesadas até para padrões franceses. E olhe: sem Lava a Jato e sem Sergio Moro. Imaginem se a moda pega no Brasil. Imaginem se o Bolsonarinho – aquele que está enrolado com a Justiça – leva uma condenação desse quilate pra cada funcionário fantasma com o qual é acusado de praticar rachadinha. Não sai da cadeia até o fim da vida.

Observação
Monsieur Fillon foi condenado em primeira instância. Não foi encarcerado imediatamente porque seus advogados tencionam recorrer.

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