Ignorantões – 2

José Horta Manzano

Nos entornos da Presidência, o festival de ignorância explícita bate um recorde atrás do outro. A última pérola, no momento em que escrevo, foi fabricada ontem por doutor Bolsonaro. Ele anda ofendido pela recusa da Alemanha de continuar botando dinheiro bom num projeto ruim. Trata-se dos milhões de dólares que nos vinham de lá – a fundo perdido! –, para combater o desmatamento na Amazônia. Fartos de assistir às manobras de nosso presidente em favor do desflorestamento, os alemães fecharam a torneira.

Movido pela ousadia que só a profunda ignorância lhe permite, doutor Bolsonaro deitou o verbo em conversa com jornalistas. Mandou recado direto à chanceler alemã Angela Merkel. Despeitado e desrespeitoso, disse que ela deve «pegar a grana» bloqueada e utilizá-la para reflorestar a Alemanha.

Se se informasse primeiro, doutor Bolsonaro evitaria passar ridículo. As florestas alemãs cobrem um terço da superfície do país. São exatos 32%. A marca é espantosa para um país pequeno (357 mil km2, equivalente ao Mato Grosso do Sul) e superpovoado (83 milhões de habitantes). Florestas e bosques não estão concentrados numa só região, como no Brasil, mas espalhados por todo o território. Quem atravessa a Alemanha por Autobahn (= via expressa), fica surpreso de viajar centenas de quilômetros e só ver bosques. A gente chega a se perguntar onde é que eles escondem as cidades. É um país muito verde. E a superfície florestal tem pequeno aumento a cada ano, ao passo que a nossa…

Doutor Bolsonaro está enveredando por um caminho sem volta. No exterior, mais e mais observadores passam a classificar nosso presidente como bufão. Segundo o Houaiss, bufão é “quem faz rir por falar ou comportar-se de modo cômico, ridículo, inoportuno ou indelicado, ou aquele a quem falta seriedade nas relações humanas”. Como o distinto leitor pode constatar, a definição é crua, mas é o retrato cuspido e escarrado do homem. Ele corresponde a todos os detalhes da descrição.

Pior que isso, doutor Bolsonaro vai acabar sendo persona non grata em numerosos países importantes. As portas dos países cujo dinheiro nos interessa – seja porque são grandes importadores de mercadoria brasileira, seja porque investem em nosso país – estarão fechadas para ele. Do jeito que vai, suas viagens internacionais estarão restritas a países governados por populistas. Que não são muitos.

Dê-me sua opinião. Evite palavras ofensivas. A melhor maneira de mostrar desprezo é calar-se e virar a página.

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