Brexit ‒ 9

José Horta Manzano

Muito britânico há de estar mordendo a língua por ter votado, em 2016, em favor do Brexit. Ou por não se ter dado ao trabalho de ir votar naquela ocasião. Fato é que o divórcio entre o Reino Unido e a União Europeia se apresenta muito mais complicado do que se podia imaginar. A complexidade da situação surpreende a todos, britânicos e demais europeus.

Faz tempo que a data teórica de conclusão da separação está marcada: será dia 29 de março, daqui a poucos dias. O Reino Unido está numa encalacrada, numa situação assaz desconfortável. Todas as saídas parecem ruins. Theresa May, a primeira-ministra britânica, tem aparecido rouca, com sinais de exaustão. No capítulo mais recente desta desgastante novela, o parlamento britânico rejeitou ontem o acordo de saída que ela havia costurado com Bruxelas. Meses de negociações foram por água abaixo.

Nunca se sabe o que pode acontecer de uma hora para a outra, mas o mais provável é assistirmos a um divórcio seco, sem acordo. Se isso ocorrer, desenha-se um cenário que prejudica a todos. Uma fronteira física será instalada entre a República da Irlanda e a britânica Irlanda do Norte. A circulação de pessoas estará entravada. No Reino Unido, o preço dos produtos europeus subirá devido aos impostos de importação. Controles alfandegários, que haviam desaparecido há mais de 40 anos, voltarão a existir ‒ França e Bélgica, os países mais próximos das Ilhas Britânicas, já estão se preparando para ressuscitar os antigos postos aduaneiros.

Resta a opção de convocar os britânicos a votar de novo, com a esperança de que, desta vez, rejeitem o Brexit. Mas é possibilidade remota. Não se pode votar, votar de novo, e continuar votando até que o resultado seja aquele que se espera. Se houvesse um segundo voto e se o resultado fosse diferente do primeiro, sempre haveria cidadãos a exigir um terceiro voto, depois um quarto, um quinto. Até quando?

Não. A besteira foi feita e é irremediável. Com ou sem acordo, o divórcio se fará. Daqui a vinte ou trinta anos, se a União Europeia ainda estiver de pé, quem sabe o Reino Unido poderá pedir nova filiação. Daqui até lá, é cada um no seu canto. Sem choradeira.

Dê-me sua opinião. Evite palavras ofensivas. A melhor maneira de mostrar desprezo é calar-se e virar a página.

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