Brexit ‒ 7

José Horta Manzano

Você sabia?

A União Europeia, sucessora da Comunidade Econômica Europeia, não se resume a um prédio em Bruxelas povoado de algumas centenas de funcionários. Nestes 60 anos de existência, criou-se uma alentada burocracia e um emaranhado de dependências e instituições espalhadas pelo continente.

As agências da UE são organismos distintos das instituições propriamente ditas. São dezenas de entidades jurídicas independentes, criadas para executar tarefas específicas de apoio. Entre elas, estão: a Agência do Meio Ambiente, com sede em Copenhague (Dinamarca); o Observatório de Drogas e Toxicomania, que funciona em Lisboa; a Autoridade de Segurança Alimentar, localizada em Parma (Itália); a Agência de Produtos Químicos, estabelecida em Helsinque (Finlândia).

No total, são cerca de cinquenta entidades, a maioria delas «descentralizada», ou seja, implantada fora do eixo Bruxelas-Luxemburgo. Duas importantes agências estão situadas no Reino Unido: a Agência Europeia dos Medicamentos e a Autoridade Bancária Europeia. O terremoto causado pelo Brexit significou a transferência obrigatória desses dois organismos. Têm de abandonar Londres. Todos os países membros lançaram olhares de cobiça. Quem seriam os herdeiros?

Só para dar uma ideia da importância dos benefícios que a implantação de uma instituição desse quilate pode trazer para a cidade que a abriga, falemos da Agência dos Medicamentos. Oferece impressionantes 900 empregos diretos e propicia criação de 1600 empresas anexas, que oferecerão milhares de empregos indiretos. É pra ministro nenhum botar defeito.

Oito candidatos se apresentaram para acolher a Autoridade Bancária e nada menos que dezenove cidades se propuseram a receber a Agência dos Medicamentos. Bonn, Amsterdam, Barcelona, Helsique, Bratislava, Milão, Paris, Dublin, Varsóvia, Viena estavam entre elas. A escolha teve lugar ontem, segunda-feira.

O romântico e improdutivo sobressalto separatista catalão inviabilizou a candidatura de Barcelona, que era uma das favoritas. Ninguém instalaria uma estrutura tão complexa numa região que periga deixar de fazer parte da UE a qualquer momento.

A escolha, a cargo da Comissão Europeia, segue regras um bocado complexas. Lembra um pouco a eleição de um papa, com vários turnos de votação secreta. A cada turno, as cidades menos votadas vão sendo eliminadas. Ao final, Paris herdou a prestigiosa Autoridade Bancária Europeia. Quanto à cobiçada Agência Europeia dos Medicamentos, vai-se mudar para Amsterdam. Franceses e holandeses estão sorrindo de orelha a orelha.

Se os britânicos pudessem votar de novo sobre o Brexit, não tenho certeza de que o resultado seria o mesmo. Agora é tarde.

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