Cooperação prisional

José Horta Manzano

Você sabia?

Prison 4O Conselho Federal Suíço – colegiado de sete membros que exerce o poder executivo – anunciou, neste 5 junho 2015, haver concluído, com o Brasil, tratado regulamentando a transferência mútua de presos.

O acordo estabelece a possibilidade de um brasileiro condenado na Suíça (ou de um suíço condenado no Brasil) cumprir o restante da pena no país de origem. A diretiva segue princípios recomendados pelo Conselho Europeu.

Em se tratando de medida tomada em caráter puramente humanitário, não seria lógico impô-la sem anuência das partes. Toda transferência fica, assim, condicionada ao preenchimento cumulativo de três condições:

Interligne vertical 14o país de condenação deverá concordar com a expulsão do preso;

o país de origem deverá concordar em receber o condenado;

e, naturalmente, o condenado deverá estar de acordo com a transferência.

O tratado não prevê a possibilidade de transferir apenados à força.

Prison 2A Suíça não permite acesso público a estatísticas prisionais, portanto sou incapaz de dizer quantos conterrâneos nossos se encontram atrás das grades por aqui. Tampouco saberia dizer se são legião ou meros gatos pingados. A lógica populacional, no entanto (200 milhões x 8 milhões), faz supor que os suíços presos no Brasil não devam ser numerosos.

Prison 3O tratado não se aplica a gente da estirpe de um senhor Marín, aquele probo cartola detido provisoriamente em Zurique em perspectiva de extradição. Não se trata de um condenado.

Quanto aos outros, aqueles a quem a nova regulamentação se aplica, tenho cá minhas dúvidas. Ficaria surpreso se se precipitassem para exigir o direito de trocar a tranquilidade destas montanhas pela rotina, digamos assim, buliçosa de Bangu. Ou de Pedrinhas.

2 pensamentos sobre “Cooperação prisional

  1. Queria saber de quem foi a iniciativa e proposta de acordo…….os Suíços querendo proteger seus cidadãos das prisões padrões CAOS do Brasil, ou o Brasil que quer livrar a cara de possíveis condenados lá trazendo eles de volta para casa?

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    • A meu ver, caro blogueiro, as duas suposições são verdadeiras.

      Para a Suíça, é vantajoso livrar-se de criminosos estrangeiros. Em certos cantões, a superpopulação carcerária atinge a insuportável marca de 115%!

      Já o governo brasileiro, quando deu abrigo ao signor Battisti, mostrou o espírito que anima os mandatários de plantão. Portanto, que voltem todos os que estiverem encarcerados no exterior: a pátria os espera de braços abertos.

      Abraço.

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