Acerto de contas

José Horta Manzano

Ao saber da reportagem de capa da revista Veja desta semana, dona Dilma & áulicos hão de ter levado um tremendo susto.

Nessas horas, quando se está sereno, a prudência manda calar e se fingir de morto. Não foi a decisão do entourage presidencial.

Adeptos de todo bate-boca que possa fazer passar mais rapidamente os minutos angustiantes de aparição ao vivo diante das câmeras, os marqueteiros palacianos orientaram a candidata a atacar a revista. Foi o que ela fez – em pessoa! – quando de sua participação no debate eleitoral de 24 de out° 2014.

Revista Veja 2Decisão tola, a meu ver. Remexeu a faca na ferida, chamou a atenção de quem porventura estivesse distraído, fez aumentar a tiragem da revista. Em resumo, a emenda estragou o soneto. Que já não era melodioso, diga-se.

A revista não perdeu a deixa. Sem tardar, publicou a réplica. Ei-la:

Interligne vertical 11bSobre a fala da presidente no horário eleitoral

A presidente Dilma Rousseff, candidata à reeleição, ocupou parte de seu tempo no horário eleitoral para criticar VEJA, em especial a reportagem de capa desta semana. Em respeito aos leitores, VEJA considera essencial fazer as seguintes correções e considerações:

1) Antecipar a publicação da revista às vésperas de eleições presidenciais não é exceção. Em quatro das últimas cinco eleições presidenciais, VEJA circulou antecipadamente, no primeiro turno ou no segundo.

2) Os fatos narrados na reportagem de capa desta semana ocorreram na terça-feira. Nossa apuração sobre eles começou na própria terça-feira, mas só atingiu o grau de certeza e a clareza necessária para publicação na tarde de quinta-feira passada.

3) A presidente centrou suas críticas no mensageiro, quando, na verdade, o cerne do problema são os fatos degradantes ocorridos na Petrobrás, em seu governo e no de seu antecessor.

4) Os fatos são teimosos e não escolhem a hora de acontecer. Eles seriam os mesmos se VEJA os tivesse publicado antes ou depois das eleições.

5) Parece evidente que o corolário de ver nos fatos narrados por VEJA um efeito eleitoral, por terem vindo a público antes das eleições, é o reconhecimento de que maior temeridade ainda seria tê-los escondido até o fechamento das urnas.

6) VEJA reconhece que a presidente Dilma é, como ela disse, “defensora intransigente da liberdade de imprensa” e espera que essa sua qualidade de estadista não seja abalada quando aquela liberdade permite a revelação de fatos que lhe possam ser pessoal ou eleitoralmente prejudiciais.

Dê-me sua opinião. Evite palavras ofensivas. A melhor maneira de mostrar desprezo é calar-se e virar a página.

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