Dona Dilma foi a Cuba

José Horta Manzano

Depois de visitar a rica Suíça, dona Dilma dá mais uma prova de sua largueza de espírito. Antes de regressar ao Brasil remediado, passeia sua simpatia pela miserável ilha dos Castros. Vai inaugurar um porto marítimo.

A modernização do Puerto de Mariel, principal porta de escoamento da produção de Cuba, está sendo levada a cabo por uma grande empresa brasileira de construção pesada.

Do custo total de um bilhão de dólares(!), mais de 70% estão sendo financiados pelo BNDES, o brasileiro Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social.

Ao bancar essa obra de infraestrutura, a estratégia confessada do governo brasileiro é dotar Cuba de uma moderna porta de saída marítima de maneira a permitir que indústrias brasileiras se instalem na ilha e explorem o baixo custo da mão de obra local.

Enxergo, nesse empreendimento, três contradições e uma ilusão. Vamos por partes.

Dilma Rousseff & Raúl Castro Crédito: Reuters

Dilma Rousseff & Raúl Castro
Crédito: Reuters

Primeira contradição
O banco de fomento criado pelo governo brasileiro em 1952 nasceu como BNDE. Nos anos 70, suas atividades passaram a se preocupar com o social. E o S foi acrescentado.

Para um banco cujo objetivo declarado é promover o desenvolvimento econômico e social, financiar o «aproveitamento» de mão de obra semiescrava de infelizes cubanos é, no mínimo, vergonhoso. E contraditório.

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Segunda contradição
O BNDES é sustentado com nossos impostos. Espera-se que essa sacola comum reverta em benefício de nosso povo. Financiamento de projetos em solo estrangeiro são admissíveis desde que provoquem exportação de produtos brasileiros. Não é o caso do custeio do porto cubano. Não há, em princípio, exportação de produtos nossos. A mão de obra é local. O principal beneficiário — se não o único — é o empresário financiado com nosso pecúlio. É contraditório.

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Terceira contradição
É curioso financiar a contratação de mão de obra estrangeira para trabalhar fora do território nacional. E o trabalhador brasileiro como é que fica? Sem trabalho? Pendurado numa bolsa qualquer? Melhor seria utilizar esse bilhão de dólares para financiar nossa própria infraestrutura, que anda bem necessitada. Consertar o dos outros e deixar o nosso ao deus-dará é contraditório.

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A ilusão
Enganam-se aqueles que imaginam que o regime ditatorial cubano vai durar pela eternidade. Mais dia, menos dia, cai. Se a União Soviética desapareceu um dia, não é a ilha dos Castros que vai permanecer para mostrar ao mundo o caminho de um futuro radioso. Aí vai chegar a hora do vamos ver.

O povo cubano não há de guardar gratidão eterna àqueles que tiverem sustentado sua interminável ditadura. É mais que provável que Venezuela e Brasil não sejam idolatrados por aquelas bandas. Por outro lado, Cuba tem ligação visceral com seu vizinho de parede, os EUA. No dia em que a ditadura se for, vão-se jogar nos braços do grande irmão do Norte. Pode apostar.

Imaginar que o Brasil venha a ser benquisto por ter contribuído a manter em vida a dinastia dos revolucionários é tolice. Uma doce ilusão.

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E pensar que tudo isso está sendo feito com nosso dinheiro. Que desperdício!

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