Línguas do mundo

José Horta Manzano

Lingua 1Certos personagens seguem um percurso peculiar. O espanhol Alberto Lucas López é um deles. Cresceu na Espanha, onde fez curso de Jornalismo na Universidade de Navarra.

Desde cedo, sentiu especial atração pelo infografismo – aquele ramo da arte de informar que se vale de recursos gráficos para dar o recado. Um nicho bastante delicado, que requer sensibilidade, minúcia, equilíbrio artístico. A informação tem de chegar ao leitor sem necessidade de textos longos.

López se especializou no ramo. Poucos anos depois de exercer em seu país natal, foi contratado pelo South China Morning Post, diário de referência de Hong Kong, publicado em língual inglesa. O moço é hoje diretor gráfico do jornal.

Entre seus trabalhos, um me chega particularmente. Trata-se de um infográfico que cobre as 23 línguas mais faladas. Mais de 4 bilhões de terráqueos têm, como primeira língua, uma das 23 maiores – você sabia?

Lingua 2O trabalho do infografista mostra o número de falantes de cada uma delas. O quadro é bastante eloquente. Sem trocadilhos…

É interessante notar a predominância do chinês (dialetos incluídos). Causa surpresa notar que a lista inclui línguas das quais pouco ou nada se ouve falar: urdu, marathi, tâmil, lahnda, telegu, bengali. É igualmente curioso constatar a ausência de línguas que nos são mais familiares como o holandês, o romeno, o polonês, o catalão. É porque não estão entre as 23 mais.

A quem quiser admirar o infográfico original – que se abre com resolução melhor – recomendo clicar aqui.

O cofrinho

José Horta Manzano

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Muita gente anda excitada por saber que abastados brasileiros têm (ou tinham) conta no banco HSBC, agência de Genebra. O alarido só não tem se avolumado em virtude dos escândalos múltiplos – e muito mais midiáticos – ligados ao assalto da Petrobrás.

Com raras exceções, todos os ricos do planeta sempre guardaram dinheiro por aqui. Durante duzentos anos, o compromisso suíço – sempre cumprido –de nunca revelar identidade de detentor de conta atraiu fortunas grandes e pequenas, lícitas e fraudulentas, limpas e sanguinolentas.

Mas tudo que tem começo acaba tendo fim. O edifício construído pacientemente durante dois séculos ruiu de repente por obra de um único homem, um obscuro funcionário de banco. O rapaz trabalhava no setor de informática, sem contacto direto com clientes. Por razões que só Deus explica, resolveu um dia chupar uma lista detalhada de clientes, copiá-la num pendrive e oferecê-la ao fisco francês, equivalente a nossa Receita Federal.

A partir daí, as versões divergem. Juram todos os envolvidos que jamais – oh, que horror! – jamais houve nem sombra de pretensão pecuniária por parte do funcionário infiel. O roubo de dados foi feito por amor à honestidade. O governo francês também jura de pés juntos que não deu um centavo ao moço. Acredite quem quiser.

Swissleaks 3

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Fato é que, na esteira desse episódio, o segredo bancário suíço foi pra cucuia em poucos anos. Mas que não seja por isso. Quem tem dinheiro sempre acaba se arranjando. Fechado um paraíso, abrem-se dez novos. Singapura, Cayman, Hong Kong, Panamá, Bahamas estão de braços abertos à espera de clientes fortunados.

Um detalhe me deixa curioso. Cento e vinte e três bancos têm agência ou representação no Cantão suíço de Genebra. São 123(!) bancos, que perfazem um total de 214 agências. O HSBC é apenas um deles. Sendo estabelecimento estrangeiro, não figurava entre os preferidos pelos clientes. Bancos genuinamente suíços sempre inspiraram mais confiança àqueles que optavam pela discrição.

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Esse único banco contava com quase 9000 clientes brasileiros, cujos depósitos se situavam, conforme a fonte, entre 6 e 8 bilhões de dólares. Agora vem a dúvida: quanto dinheiro da terra onde canta o sabiá haverá nos outros 122 bancos da praça de Genebra? Melhor nem perguntar. Se tivessem de ir todos para a cadeia, Congresso e grandes firmas fechariam suas portas por falta de gente.

Que se tranquilizem meus distintos leitores. Brasileiros não são os únicos a fazer uso de bancos estrangeiros para guardar dinheiro. Praticamente todos os ricos do mundo fazem o mesmo. Provavelmente, pelas mesmas razões.

Interligne 18b

PS: Para quem quiser saber quais são os bancos estabelecidos em Genebra, aqui está a lista.

Terra do cruz-credo

José Horta Manzano

Você sabia?

Assalto 2Como faz a cada ano, o respeitado instituto mexicano Seguridad, Justicia y Paz publicou estudo que mede a criminalidade urbana no planeta. Divulgou a lista das 50 cidades mais violentas do mundo – pelo critério de número de homicídios em relação à população.

O país campeão estourado em matéria de violência urbana – o distinto leitor já deve desconfiar – é nossa amada Terra de Santa Cruz. Que digo? Santa Cruz? Está mais para cruz-credo!

A lista de 2013 trazia 16 cidades brasileiras entre as 50 mais violentas do mundo. A edição 2014 não só confirma a presença das mesmas dezesseis como também acrescenta três: são agora 19. Em números redondos, quatro entre as dez cidades mais violentas – considerados todos os continentes e todos os países – se encontram no Brasil. Nosso País segue firme na vanguarda do crime. Nossa dianteira é de tal importância que dificilmente poderemos ser alcançados. Somos imbatíveis.

Crime 1Contrastando com as autoridades das outras 18 cidades brasileiras mencionadas no estudo, a Secretaria de Segurança Pública de Goiás não gostou de ver a capital do Estado mais uma vez na lista da vergonha.

Aderindo a estratégia muito em voga no Brasil atual, tentou menosprezar a mensagem e «desconstruir» o mensageiro. Criticou o instituto mexicano, sua metodologia e seus dados. Tentou desqualificar e desmerecer o estudo. Disse que estavam errados, que não era bem assim, que, no fundo, não se matava tanto em Goiânia.

Charge publicada no site Seguridad, Justicia y Paz

Charge publicada no site
Seguridad, Justicia y Paz

Mexeram em vespeiro. Tiveram direito a uma longa resposta, com números, fontes e tabelas, assinada pelo presidente do instituto. O artigo está em destaque no site da ong, exposto a quem quiser ler. As autoridades goianas atiraram no estafeta e acertaram o próprio pé. Para coroar, ganharam a charge que vai reproduzida aqui acima.

As 19 cidades brasileiras constantes da lista das 50 mais violentas do mundo em 2014 são as seguintes:

Posição   Cidade             Taxa(1)
———————————————————————————————————
04        João Pessoa        79,41
06        Maceió             72,91
08        Fortaleza          66,55
10        São Luís           64,71
11        Natal              63,68
15        Vitória            57,00
16        Cuiabá             56,46
17        Salvador           54,31
18        Belém              53,06
20        Teresina           49,49
23        Goiânia            44,82
29        Recife             39,05
30        Campina Grande     37,97
33        Manaus             37,07
37        Porto Alegre       34,65
39        Aracaju            34,19
42        Belo Horizonte     33,39
44        Curitiba           31,48
46        Macapá             25,45

(1) Homicídios intencionais por 100 mil habitantes

Para efeito de comparação, note-se que a taxa global brasileira beira 25 homicídios intencionais por 100 mil habitantes, número altíssimo.

Assalto 1É verdade que estamos numa situação menos sinistra que a infeliz Venezuela (45 por 100 mil). No entanto, estamos bem longe de uma Alemanha (0,8), de um Japão (0,4) ou de uma pacífica Hong Kong (0,2). Ainda temos longo caminho a percorrer. Será trabalho para as próximas gerações. Com sorte, os netos de nossos netos conhecerão um país mais civilizado.

Obs:
Quem quiser consultar o estudo completo do instituto, pode descarregá-lo, em língua portuguesa e em formato pdf, aqui.

Como comportar-se em Hong Kong

José Horta Manzano

Você sabia?

Hong Kong ― bondes de dois andares

Hong Kong ― bondes de dois andares

Dia 1° de julho de 1997, quando o território de Hong Kong foi devolvido à China, poucos acreditavam que a mãe-pátria levaria realmente a sério o acordo firmado com o Reino Unido.

Fazia 155 anos que aquele pedaço de chão estava sob domínio britânico ― desde o Tratado de Nanquim, de 1842. Nos anos negros em que a China continental sofria faminta os horrores do regime de Mao e de sua Revolução Cultural, Hong Kong curtia tranquila seu mormaço, protegida de todo mal pelo guarda-chuva do Império Britânico.

Hong Kong ― a bandeira

Hong Kong ― a bandeira

Pelo que ficou acertado entre Londres e Pequim nos anos 1990, o governo chinês se comprometia a manter, pelo menos durante 50 anos após a retrocessão, a relativa autonomia do território, sua moeda própria, seu bilinguismo, seu arcabouço legal, seu sistema político. Até suas próprias regras de tráfego.

Atemorizados, os hongkongueses mais abastados despacharam a tempo sua fortuna para recantos mais acolhedores. Alguns, mais assustados, optaram por solução radical: foram-se de mala e cuia.

Cheguei a perguntar a alguns hongkongueses conhecidos meus se não estavam amedrontados com a perspectiva de a cidade ser encampada pelo gigante chinês. Invariavelmente respondiam todos que, como não eram endinheirados, nada tinham a temer.

Tinham razão os que não se assustaram. A pátria-mãe cumpriu o prometido. Hoje, passados 17 anos, Hong Kong leva vidinha tranquila de região especial administrativa. Enquadra-se na filosofia «um país, dois sistemas», uma especificidade chinesa.

Nada mudou ou quase. A região especial manteve sua administração própria, suas leis, sua moeda, sua bandeira. Até a organização do tráfego foi mantida: em Hong Kong circula-se pela esquerda, à moda inglesa.

Hong Kong ― bairro de escritórios

Hong Kong ― bairro de escritórios

A única alteração visível é um acréscimo bem-vindo. A língua chinesa padrão, aquela que se fala em Pequim, é agora ensinada desde a escola elementar, coisa que não ocorria no tempo dos britânicos. Com isso, os pequerruchos navegam entre três falares: o cantonês (língua local), o mandarim (chinês padrão) e o inglês. Uma riqueza.

Hong Kong ― comércio popular

Hong Kong ― comércio popular

A fronteira entre o minúsculo território e a China continental continua lá, mais bem guardada que nunca. Se assim não fosse, a pequena língua de terra perigava afundar sob o peso de milhões de migrantes.

Estes últimos anos, a subida do nível financeiro tem despertado em muitos chineses a curiosidade de conhecer o antigo território britânico. Lá não se entra assim, sem mais nem menos: precisam de um visto. Os que podem comprovar ter certa folga financeira não têm problema, que a porta está sempre aberta.

Hong Kong ― vista aérea

Hong Kong ― vista aérea

Para quem, como nós, vive do outro lado do globo, pode parecer exagero. Mas é verdade: uma barreira civilizacional separa os chineses dos hongkongueses. Para os que atravessam a fronteira pela primeira vez, o choque cultural é garantido. Os da China continental são vistos em Hong Kong como primitivos, incultos, broncos. Isso é fonte de mal-entendidos e de tensões.

Para baixar a voltagem, a mui oficial agência de notícias Nova China publicou uma lista de conselhos destinada aos cidadãos que tencionam visitar Hong Kong. Eis algumas das dicas:

HK ― regras de comportamento

HK ― regras de comportamento

Fale baixo
Evite chocar-se com as pessoas ou empurrá-las
Não converse aos gritos com pessoas distantes
Trate o pessoal de serviço com polidez
Evite pechinchar exageradamente
Não coma nem beba no metrô
Não atire lixo ao chão e não cuspa na rua
Só viaje na primeira classe se tiver comprado o bilhete

Espera-se que todos sigam as sugestões afastando, assim, todo risco de guerra civil.

As flutuações da lei

José Horta Manzano

Faz quase quatro mil anos que o Código de Hamurábi foi inscrito num monolito, em escrita cuneiforme. Aquele pedaço de rocha contém a coletânea de leis e procedimentos mais completa e mais antiga de que temos notícia. A criação ― e a aplicação ― de um arcabouço legal é uma das marcas que distinguem uma sociedade civilizada de um bando de selvagens.

Quando a Roma antiga firmou suas regras legais, justamente aquelas que deram origem ao nosso Direito, já fazia um milênio e meio que os pioneiros babilônios tinham dado os primeiros passos nessa senda.

Em nosso País, não faltam leis. Temos uma das constituições mais prolixas do mundo e um emaranhado impressionante de leis, decretos, medidas provisórias, provimentos, regulamentos. Não é a falta delas que atrapalha. Nem, como pensam muitos, o excesso. O que desorienta o cidadão é a instabilidade das normas legais. O que vale hoje à noite pode não mais valer amanhã de manhã.

Sonia Racy, em seu blogue alojado no Estadão, nos faz saber, neste 14 de novembro, que o emir de Dubai renuncia a participar de leilões de privatização de aeroportos brasileiros. O motivo da recusa foi atirado simples, franca e diretamente aos ouvidos do vice-presidente de nossa República: a insegurança jurídica. É gravíssimo o que disse o endinheirado potentado.

Este não é espaço onde se pretenda discutir a validade ou não de privatizações ou partilhas. O abandono total ou parcial de soberania, por parte do Estado, sobre aeroportos é um outro capítulo. O que me desassossega aqui é o fato de nossa instabilidade jurídica estar afugentando capitais.

Aeroporto de Dubai

Aeroporto de Dubai

Dubai, como os outros emirados do Golfo Pérsico, não produz nada. Quis a natureza que aquela região desértica se assentasse sobre um mar de petróleo. Vivem há anos da exploração dessa riqueza fóssil. E vivem muito bem! Melhor que isso: são governados por clãs que têm visão. Sabem todos que, mais dia, menos dia, o petróleo vai acabar. E aí, como fica?

Dado que o solo e o clima não permitem nenhuma agricultura, estão investindo na cultura do povo e diversificando as aplicações em outros países. A Sorbonne, tradicional universidade parisiense, foi convidada a instalar uma filial em Abu Dabi. Está funcionando já faz alguns anos.

As estatísticas mostram que o intenso investimento no setor de transporte aéreo já ergueu o aeroporto de Dubai a um patamar impressionantemente elevado. Em 2012, aquele terminal aéreo apareceu em 10° lugar na classificação mundial por número de passageiros. Desbancou Amsterdam, JFK (Nova York), Hong Kong, Madrid e até Frankfurt!

Enfim, não estão esbanjando o dinheiro fácil em palácios com maçanetas de ouro maciço. Estão transformando aquela desolada região em importante escala aérea, destino turístico, centro de educação de primeira grandeza, polo de pesquisa e desenvolvimento de alto nível.

Não são amadores. Se julgam que o Brasil não merece receber seus investimentos, dado o temor que nossa insegurança jurídica lhes infunde, é chegado o momento de nossas autoridades pensarem muito bem de onde viemos, onde estamos, e para onde queremos ir.

Sermos considerados república de bananas não só machuca nosso amor-próprio como também ― e principalmente ― nos afasta do circuito de circulação das riquezas. E isso, a longo prazo, é ruim para todos.

Brasil, educação zero

A rua é a maior escola... Manifestações de 7 out° 2013, RJ Foto Estadão

A rua é a maior escola…
Manifestações de 7 out° 2013, RJ
Foto Estadão

Cora Rónai

Um país que trata os seus professores a cacetadas, balas de borracha e spray de pimenta é um país que despreza o seu futuro.

Há algumas semanas, voltou a circular pela internet um ranking de aprendizado mundial divulgado no final do ano passado pela Pearson, empresa inglesa dedicada à educação. Ele reflete dados colhidos entre 2006 e 2010 em 39 países e uma região administrativa (Hong Kong), e não chega a surpreender quem se interessa pelo assunto. O primeiro lugar é ocupado pela Finlândia, seguida por Coreia do Sul, Hong Kong, Japão e Cingapura. O Brasil só não ficou em último lugar porque, espantosamente, a Indonésia conseguiu se sair ainda pior. (…)

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Posso entrar?

José Horta Manzano

Em despacho de 23 de junho, o diário South China Morning Post informa que Edward Snowden escapou de Hong Kong. Embarcou num voo da companhia Aeroflot em direção a Moscou. No momento em que escrevo estas linhas, deve estar sobrevoando território russo. A previsão de pouso é por volta das 10h da manhã deste domingo, pela hora de Brasília.

Conheço muito bem as formalidades de imigração em vigor em Hong Kong. A cidade-estado está longe de ser uma peneira. Os controles de entrada e de saída aliam o antigo rigor comunista à eficiência britânica. De olhos perscrutantes, os agentes são mal-encarados, silenciosos, inflexíveis.

Se Snowden deixou o território, fez isso com a anuência das autoridades. É possível ― e mesmo bastante provável ― que Pequim tenha fechado um olho na esperança de se livrar de um problema cabeludo. O homem está sendo procurado pelo governo dos EUA sob a acusação de espionagem, crime ultrapesado pela lei de qualquer país.

Os dirigentes russos, pelo menos por enquanto, alegam estar completamente alheios ao que se passa. Acredite quem quiser.

Robin Hood

Robin Hood

O destino final do fugitivo, segundo o South China Morning Post, poderia ser a Islândia ou o Equador. Eu acrescento: poderia também ser o Brasil, por que não?

A Islândia acolheu, 4 anos atrás, um cirurgião plástico brasileiro, que, condenado a 47 anos de prisão por homicídio, havia escapulido de sua prisão. Mas o problema foi resolvido em pouco tempo. O governo brasileiro solicitou e obteve a extradição do condenado.

O Equador abriga em sua embaixada londrina, há mais de um ano, um Robin Hood dos tempos modernos. O original, a quem a lenda confere uma aura de honra e magnanimidade, roubava dos ricos para distribuir aos pobres. O clone atual roubou segredos diplomáticos e os publicou ao planeta inteiro. Segredo é para quatro paredes. Espalhar troca de correspondência confidencial, além de ser feio, não traz vantagem a ninguém. Tanto o Robin Hood original quanto o moderno agiram mal. Nenhum deles transformou o mundo.

No apagar das luzes de seu governo, como quem põe o morango em cima do bolo, no mesmo dia em que concedeu passaporte diplomático a seus filhos e netos, o Lula negou definitivamente a extradição de um fugitivo da Justiça italiana, já condenado em seu país por participação em quatro assassinatos.Interligne 38

A Islândia é país pequeno, sem árvores e sem calor. Para um jovem de 30 anos, como Snowden, a perspectiva de passar o resto da vida naquele lugar é desmoralizante.

Já o Equador é um pouco melhor. Tem árvores, tem calor, mas o território é diminuto. Para quem chega, saber que não vai nunca mais poder sair deve ser frustrante.

Robin Hood

Robin Hood

Se eu fosse Snowden, sondaria o governo brasileiro. Generosos, estamos sempre prontos para acolher assassinos, ex-ditadores e outros bandidos. Por que não traidores? O País é vasto como coração de mãe. Cabem todos.

No entanto, caso a Islândia decida abrigar o fugitivo, resta-nos a possibilidade de convidar aquele país hermano para integrar o Mercosul. Seria mais ou menos como se nós mesmos tivéssemos acolhido o fugitivo. É sempre um consolo, não é mesmo?Interligne 38

Complemento
Sabe aquela batata quente, aquela que ninguém quer segurar na mão e joga no colo de quem estiver mais distraído? Pois é. Este caso Snowden está ficando assim. Tornou-se um abacaxi que ninguém quer descascar.

No momento em que escrevo este complemento, o homem deve estar desembarcando em Moscou. A Agência Reuters informa que seu destino poderia ser Caracas, via Havana. Faz sentido.

A Islândia, finalmente, não vai precisar ser convidada a fazer parte do Mercosul. Não faz jus ao convite, além do que a Venezuela já é membro de pleno direito. Snowden vai se sentir em casa. A velha máxima do tempo de nossos tataravós continua válida: dize-me com quem andas, e dir-te-ei quem és.

Que o destino final seja Cuba, o Equador, a Venezuela, tanto faz. Pode ser até um País gigante por natureza, por que não? Quem viver verá.

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